Com uma trama arrastada que anda em círculos, o retorno de Criston Cole e o foco em Porto Real cansam o espectador antes da Batalha de Tumbleton.
O que os fãs mais temiam acabou acontecendo. Após uma sequência de capítulos eletrizantes, o 5º episódio da terceira temporada de A Casa do Dragão entregou um ritmo modorrento que evoca os piores momentos do ano anterior. Andando em círculos e repetindo situações exaustivamente, a produção — que parecia ter encontrado o rumo ideal para organizar seu tabuleiro de guerras — voltou a estagnar a narrativa em prol do esticamento da temporada.
Aviso de Spoilers: O texto a seguir contém revelações sobre os acontecimentos, alianças e o desfecho do quinto episódio da terceira temporada.
O sumiço e a volta desnecessária de Criston Cole
Essa brusca pisada no freio está diretamente ligada ao aumento de tempo de tela de Criston Cole (Fabien Frankel). O cavaleiro, que andava escanteado na temporada com aparições mínimas e irrelevantes, surge liderando seus homens em uma missão militar que nem os soldados e muito menos o espectador conseguem compreender.
Embora o início do episódio ensaie algo interessante ao mostrar Cole agindo nas sombras na calada da noite, a roteirista Phillipa Goslet e a diretora Nina Lopez-Corrado falham ao tentar transformá-lo em uma figura reflexiva nos moldes de Apocalypse Now. Falta profundidade ao texto, reforçando a sensação incômoda de que Cole é o personagem principal mais mal desenvolvido de toda a série e já está fazendo hora extra em Westeros.
Lição de moral e o retorno de Tyland Lannister

Em contrapartida, o núcleo focado na reabilitação dos Verdes ganha força graças a Larys Strong (Matthew Needham). Larys entrega um dos seus melhores momentos na série ao dar uma severa lição de moral no mimado e amargurado Rei Aegon Targaryen (Tom Glynn-Carney).
A dinâmica muda completamente com o retorno surpreendente de Tyland Lannister (Jefferson Hall), que o público acreditava ter morrido na sangrenta Batalha da Goela. Com a volta do aliado, a dupla Larys e Aegon finalmente enxerga uma rota de fuga política e física: rumar em direção a Casterly Rock, o lar ancestral da Casa Lannister.
Caos em Porto Real e as investidas de Ormund Hightower

No coração do reino, a situação de Rhaenyra Targaryen (Emma D’Arcy) é de completo isolamento. Dividida entre o luto por Jace e Luke e a sede de vingança, a rainha enfrenta mais um embate com Daemon (Matt Smith), que prefere focar na segurança de seus patrulheiros a caçar Aemond. O terror psicológico na cidade é alimentado pelas garras de Ormund Hightower (James Norton), que já cunha moedas com o rosto do jovem Daeron Targaryen (Benjamin Evan Ainsworth) e o proclama rei legítimo.
James Norton brilha intensamente ao construir a imponência de Ormund. A sutil cena do jogo de xadrez com Daeron ilustra perfeitamente a relação abusiva de mentor e pupilo, onde Ormund ensina o assustado garoto a nunca se desculpar por suas vitórias. Mais tarde, a investigação de Daemon revela a crueldade dos Hightower ao encontrar um massacre apelidado de “Banquete dos Traidores”, minando ainda mais a autoridade dos Pretos.
O despertar de Aemond e a fuga desesperada das rainhas

Longe das intrigas da capital, Aemond Targaryen (Ewan Mitchell) finalmente desperta de seu coma em Harrenhal sob os cuidados de Alys Rivers (Gayle Rankin). Ao descobrir que Vhagar voou para longe e que Porto Real foi tomada, o príncipe se vê vulnerável, mas prova que está recuperado ao trucidar invasores que escalavam as muralhas do castelo abandonado.
De volta a Porto Real, o drama pessoal de Helaena (Phia Saban) rouba a cena. Grávida e sob constante ameaça caso Rhaenyra descubra o novo herdeiro, a jovem se nega a abortar ou tomar os remédios trazidos pelo Grande Meistre Orwyle. Diante da iminente traição de Mysaria (Sonoya Mizuno), que pretende expor o segredo, Alicent Hightower (Olivia Cooke) tenta negociar a segurança de sua linhagem. Sem opções, mãe e filha descobrem uma passagem secreta nas paredes de seus aposentos, mas a fuga termina de forma claustrofóbica em um aparente beco sem saída.
Veredito
Apesar de preparar o terreno para a aguardada e inevitável Batalha de Tumbleton, A Casa do Dragão desperdiçou o fôlego que vinha construindo nos episódios anteriores. Foi um capítulo arrastado, que sofreu com excesso de tramas paralelas que não movem a história principal adiante. Esperamos que seja apenas um deslize isolado e não um retorno definitivo aos erros estruturais do segundo ano.
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