Como a visão realista de Wolfgang Petersen desconstruiu a mitologia grega e criou um dos blockbusters mais brilhantes do cinema.
Quando Troia (Troy) chegou aos cinemas em 2004, a reação de parte da crítica especializada e dos puristas da literatura foi implacável. Acusado de desrespeitar a obra clássica de Homero ao remover completamente os deuses do Olimpo, o longa-metragem estrelado por Brad Pitt e Eric Bana acabou carregando injustamente o estigma de ser apenas mais um blockbuster de ação genérico.
No entanto, com o passar dos anos — e a crescente escassez de produções desse porte no cinema atual —, fica cada vez mais claro que o filme do diretor Wolfgang Petersen foi profundamente incompreendido em sua época.
A grande sacada da produção não foi ignorar a Ilíada, mas sim adotá-la sob uma perspectiva puramente histórica. O filme funciona como o retrato pé no chão de como teriam sido os acontecimentos reais, sugerindo que a presença dos deuses nos textos antigos nada mais foi do que a licença poética dos poetas para romantizar a tragédia da guerra.
Assista à nossa análise em vídeo!
Quer se aprofundar ainda mais nessa discussão? Gravamos um vídeo completo no canal do Nerd Arretado detalhando cada um desses pontos, reavaliando as cenas de luta e provando por que Troia merece ser reassistido hoje mesmo.
Aperte o play abaixo para conferir o vídeo completo:
A genialidade da abordagem realista
Essa desconstrução entregou momentos geniais de construção de roteiro e linguagem visual que merecem ser reavaliados:
- A Arrogância de Aquiles: A forma como Aquiles (Brad Pitt) luta não é apenas impressionante por conta das coreografias impecáveis; ela reflete a mente de um guerreiro que se sabe imbatível. Ele não luta tenso; ele performa e “dança”, utilizando o escudo e a espada com absoluto domínio técnico.
- A Desconstrução de Paris: Muito criticado na época, Orlando Bloom entregou exatamente o que a narrativa exigia. Seu Paris é um jovem mimado e inconsequente, cuja covardia no duelo contra Menelau serve de contraponto perfeito para a honra e o peso que seu irmão Héctor (Eric Bana) carrega nas costas.
- A Origem do Mito do Calcanhar: Sem a intervenção divina de Apolo para guiar a flecha, a morte de Aquiles ganha um desfecho verossímil. Ao levar várias flechadas no peito e arrancá-las para continuar lutando, a única que sobra presa ao seu corpo quando é encontrado morto é a primeira — justamente a do calcanhar —, mostrando exatamente como a lenda nasceu no imaginário popular.
E para você? Troia é um filmaço injustiçado ou você ainda prefere a versão com os deuses gregos participando da batalha? Deixe sua opinião nos comentários e continue acompanhando o site!
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