Às vezes o Ctrl+C, Ctrl+V pode dar certo
A nova onda de live-actions em Hollywood já mostrou sinais de desgaste. A Disney, principal responsável por popularizar esse formato nos últimos anos, trouxe títulos como Alice no País das Maravilhas (2010), Lilo & Stitch e o polêmico Branca de Neve. Isso gerou discussões inevitáveis: será que precisamos mesmo desses remakes? Eles trazem algo novo à narrativa ou apenas tentam lucrar em cima da nostalgia?
Essa crítica ao filme Como Treinar o Seu Dragão (live-action) tenta responder a essas questões, mas a partir de um ponto de vista talvez mais otimista: e se uma cópia fiel também tiver valor?
Uma nova mídia, o mesmo encanto
Do ponto de vista pessoal, não há problema em revisitar histórias conhecidas, desde que haja respeito ao material original. Assistir a uma animação e depois ver sua versão live-action é, para mim, como experimentar a mesma história em outra mídia. É o mesmo que adaptar um jogo para o cinema, ou vice-versa. São linguagens diferentes que oferecem experiências diferentes.
Muitos defendem que se for para refazer uma obra, é preciso trazer algo novo — atualizar o contexto, modernizar a linguagem ou oferecer um ponto de vista inédito. Mas, às vezes, o público só quer ver aquela mesma narrativa com outra roupagem. E tudo bem se ela for praticamente idêntica, contanto que funcione.
Um Ctrl+C Ctrl+V que funciona
A adaptação de Como Treinar o Seu Dragão é exatamente isso: um Ctrl+C Ctrl+V da animação original, mas que funciona incrivelmente bem. Mesmo conhecendo a história, ainda é possível se emocionar, se surpreender e se encantar.
A presença de atores reais traz um novo peso às cenas. A trama se torna mais palpável, quase possível. Os atores, aliás, estão todos ótimos, entregando performances que respeitam a essência dos personagens sem parecerem caricatos. Isso, por si só, já garante um frescor à narrativa.
E os dragões? Eles continuam sendo animados por computação gráfica, claro, mas agora com muito mais realismo. Suas movimentações são mais orgânicas e menos cartunescas. Eles agem como animais reais — cães, gatos, até sapos — e isso contribui para o tom mais sério e imersivo do longa.
Um espetáculo técnico e emocional
Outro destaque vai para a trilha sonora e a mixagem de som, que estão impecáveis. A música acerta no tom em todos os momentos, e os sons dos dragões, especialmente os do Banguela, são um espetáculo à parte.
Mesmo sendo uma história já conhecida, a direção acerta ao explorar novos ângulos, enquadramentos e detalhes que só um live-action pode proporcionar. A fidelidade ao roteiro original não é um obstáculo — é uma escolha bem executada.
Conclusão
Enquanto a Disney insiste em reinventar clássicos que ninguém pediu para mudar, a DreamWorks mostra que o caminho pode ser o oposto: respeitar o que já é amado. O live-action de Como Treinar o Seu Dragão é prova disso. Uma adaptação simples, fiel e bem-feita, que não tenta ser mais do que precisa — e por isso mesmo, acerta.
Para os fãs da animação, a experiência vale cada minuto. É como reencontrar um velho amigo com roupas novas. E, às vezes, é tudo o que a gente quer.
Nota:
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